Circulação irregular e excesso de velocidade: os riscos da febre das bicicletas elétricas no Brasil Por Redação Desacelera Manaus – 27 de julho de 2026

O crescimento acelerado das bicicletas elétricas nas cidades brasileiras tem se tornado um desafio para a segurança viária. Reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo (26) mostrou que, embora esses veículos sejam vistos como alternativa sustentável e prática, o uso indevido e a falta de regulamentação têm provocado acidentes e conflitos no trânsito.

Segundo dados apresentados, já são mais de 850 mil bicicletas elétricas em circulação no país. Em São Paulo, onde os congestionamentos ultrapassam mil quilômetros, muitos trabalhadores têm optado por esse meio de transporte. No entanto, o aumento da frota trouxe também engarrafamentos em ciclovias, circulação na contramão, avanço de sinais vermelhos e infrações de velocidade.

Velocidade acima do permitido

As bicicletas elétricas são projetadas para atingir até 32 km/h, mas parte dos veículos tem sido adulterada para alcançar velocidades superiores. De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), qualquer veículo que ultrapasse esse limite deixa de ser considerado bicicleta elétrica e passa a ser classificado como ciclomotor, categoria proibida em ciclovias e ciclofaixas.

Especialistas alertam que um atropelamento a 32 km/h gera impacto equivalente a uma queda de cerca de cinco metros de altura, o que explica a gravidade dos acidentes registrados.

Debate sobre regulamentação

A Prefeitura de São Paulo encerrou recentemente uma consulta pública para definir regras de circulação. Entre as propostas, está a redução da velocidade máxima para 20 km/h em todas as vias da cidade.

Já a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) defende uma regulamentação diferenciada, com limite de 25 km/h em ciclovias e 20 km/h em pistas de mão dupla, além de maior fiscalização para coibir adulterações ilegais.

Reflexos em Manaus

Em Manaus, o uso das bicicletas elétricas também cresce, especialmente em bairros de grande fluxo como Parque Dez, Adrianópolis e Centro. Para o coordenador do projeto Desacelera Manaus, Prof. Mário Ricardo, o alerta é claro:

“A mobilidade sustentável é positiva, mas precisa vir acompanhada de responsabilidade. A pressa pode custar vidas”, afirmou.

O projeto tem intensificado campanhas educativas e ações de conscientização sobre o uso seguro de bicicletas e ciclomotores, reforçando que educação e fiscalização são fundamentais para evitar tragédias.

Essa expansão das bicicletas elétricas, sem regulamentação adequada, expõe uma realidade preocupante: o avanço da tecnologia precisa caminhar lado a lado com políticas públicas que garantam segurança, convivência e respeito às normas de trânsito.